|
04/11/2006 15:52
Soneto do Amor total
Vinícius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Há de passar, um dia há de passar. O destino de todo grande amor é o passado. Um dia será passado. Que medo que dá, de saber que um dia minha realidade não será você, que o ar que eu respiro nao será você, que essa dor no meu peito não será você. Mas há de passar, hei de morrer, como qualquer outra pessoa, hei de ser esquecida, e teus olhos doces talvez nunca mais me vejam. Que então restará de mim, se você não se lembrar mais que eu existi? Não quero permitir que nosso amor morra desse jeito idiota. Hei de brigar, até a última gota de rivotril do vidrinho salvador.
enviada por Mah
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|