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10/06/2006 23:17
"O pensamento mágico enquanto conceito antropológico" (ou: "O poder de um par de botas plataforma pretas")
A minha geração foi sacaneada pela AIDS. Nenhum de nós, em sã consciência e sóbrios, transa sem camisinha com alguém que não confia muito. Muitos de nós, nem com quem confia muito. A liberdade que uma geração ganhou com a pílula, o tal amor livre, acabou condicionado a um saquinho de plástico. Mas todo mundo tem ainda aquele "pensamento mágico", que algum antropólogo falou há alguns anos atrás: aquela coisa em que ação e reação não estão encadeadas, onde existe uma explicação fantástica para as coisas. De vez em quando escuto: "não transo de camisinha, mas eu sempre escolho mulheres que eu sei que não têm problemas". Hum... Como se DST deixasse alguma marca no rosto, como se bebês só viessem quando a gente sonha com eles... Pra mim, esse raciocínio de "Nunca vai acontecer comigo" de algumas pessoas é igualzinho ao raciocínio dos "selvagens" que exorcizam os "espíritos" dos mortos inimkigos em batalhas levando suas cabeças para casa e alimentando-as todos os dias. Mas não era disso que eu queria falar, apesar de ter que desabafar sobre isso. Estava pensando mesmo era em como eu tenho um lado muito mágico nos meus pensamentos. Uma forma tão absurdamente positiva de enxergar as coisas às vezes. Minha vida é sempre um filme. Sempre uma comédia romântica. Sempre um "Quem vai ficar com Mari?". Últimos meses ficou muito drama, meio triste demais, desses filmes que você vê pra chorar. Agora não; normalidade reestabelecida, aqui estou eu brincando com o lado lúdico das minhas novas botas pretas. O incrível fascínio que botas pretas de plataforma exercem sobre mim, há anos a fio. Do alto da plataforma, meu mundo volta a desenhar cores alegres, naqueles sorrisos doces de sedução. Nas brincadeiras que faço com a vida, com a "dormência no pulmões" que alguém me provoca. Provocar. Você, como sempre, provoca minha inteligência. Meu lado "mulherão". Me surpreende. Hum... Eu já vi esse filme. Acho que o nome era "Amor ou amizade". Acho que tô querendo fazer a sequência, mesmo que seja só pra ser um daqueles filmes-pipoca, que são apenas diversão. Quem disse que a vida tem que ser sempre séria?
enviada por Mah
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