|
04/11/2006 15:52
Soneto do Amor total
Vinícius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Há de passar, um dia há de passar. O destino de todo grande amor é o passado. Um dia será passado. Que medo que dá, de saber que um dia minha realidade não será você, que o ar que eu respiro nao será você, que essa dor no meu peito não será você. Mas há de passar, hei de morrer, como qualquer outra pessoa, hei de ser esquecida, e teus olhos doces talvez nunca mais me vejam. Que então restará de mim, se você não se lembrar mais que eu existi? Não quero permitir que nosso amor morra desse jeito idiota. Hei de brigar, até a última gota de rivotril do vidrinho salvador.
enviada por Mah
01/10/2006 22:30
Façamos nos, com nossas mãos, tudo o que a nós nos diz respeito
(A Internacional, hino dos comunistas do mundo todo... Por que hoje é dia, não é?)
Comecei a fazer movimento estudantil em 1998, quando conheci um grupo de incendiários que se reuniam no Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UFRJ. Essas pessoas me salvaram de ser uma patricinha medíocre, me ensinaram a ser crítica, e talvez, mais importante de tudo, não permitiram que a faculdade atrapalhasse meus estudos. Hoje, porém, experimentei um sentimento muito triste. Primeira vez em oito anos em que não fui feliz votar, em que não fiz campanha. Tentei pôr a culpa na mudança que fiz ano passado, quando optei por continuar sendo comunista, mas fora do partido comunista (quem é marxista leninista sabe da importância de fazer parte de uma organização revolucionária, mas essa é outra história). Depois, pus a culpa em tudo o que tem acontecido na minha vida... E não foi pouca coisa. Mas, na verdade, eu simplesmente estou experimentando a enorme sensação de desesperança que deu a cor dessa eleição. Não porque aja corrupção num governo que eu ajudei a eleger (e continuo reelegendo...), não pela falta do crescimento que eu queria pro país, não por essa política econômica equivocada... Minha desesperança bate quando entendo a decepção de um povo que continua querendo eleger o Novo Messias, o Salvador da Pátria... E nunca tem coragem de ser protagonista. Nosso povo, nós mesmos, estamos acostumados com a representação, com ter alguém que vai resolver nossos problemas... E nunca vemos que esse alguém somos nós mesmos. Todo mundo reclama o tempo todo, mas ninguém corre atrás. Me senti mal por ter me acomodado nessa eleição, muito mal. Mas hoje vi a minha cidade, eternamente de ruas sujas, festejando sua ingerência. Que medo que me dá, essas pessoas, tantas da minha idade ou mais novas, que se consideram herdeiras dessa loucura que é um Estado que se dissolve, ao invés de se considerarem construtoras do seu próprio futuro. Eu e meu país, hoje, estamos num momento muito parecido: também esperei alguém que me salvasse, também quis que alguém assumisse responsabildade sobre mim. Estou consertando meu rumo. Espero que minha pátria amada, minha patriazinha, também...
Esse post vai ficar enorme, mas vale a pena... Leiam. É tão doce esse poema...
Pátria Minha
Vinícius de Moraes
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."
enviada por Mah
06/09/2006 13:08
"Never Again...
Will there be someone as desirable as you?"
(Nunca mais... Será que vai haver alguém tão desejável quanto você?)
Tô fazendo besteira, eu sei que não é o certo... Mas e daí? TÔ feliz. Me desejem sorte. Quando der errado eu conto! rs
enviada por Mah
26/08/2006 01:29
(esse post podiater vários títulos. E eles estão todos aqui.)
"You never know how much you're really fucked until you really know you're fucked" ou "I was hoping..." (Alanis Morrissette) ou Do incríveis problemas sobre "O Cara"
Muitas informações pra processar. Conversas Díspares. Covardias. Estranhamente, as coisas ficam tão claras que doem. "O Cara", meu eterno amante, me pede conselhos sobre a namorada, eu digo que morro de ciúmes, faço ameaças que nós dois sabemos que não vou cumprir. Risos. Enfim, a frase de sempre, que me traz tanta paz: "Você sabe que o seu lugar é só seu." Incrível a habilidade que essa criatura tem de me fazer me sentir bem, e ainda rir de mim. A paz que eu busco agora é quase declarar guerra. Quem entende? Era isso o tempo todo, e eu parada. Medo de fazer perguntas. Eram as perguntas erradas. Como pode ser insensato ter sensatez demais. Minhas botas pretas não me protegem do tombo. No fim das contas, achei outro "O Cara", mas minha incapacidade de saber bem o que é meu desejo e o que é realidade anda muito fraca. Alguém que sirva de suporte... E que merda é constatar que eu continuo me fazendo de mulherzinha querendo um homem que me salve. Ok. Ele não vai aparecer. Mas... Por que diabos eu quero alguém que me salve, e não alguém que possa se curar junto comigo? Por que procurar relações patológicas? Procurar as coisas erradas nos lugares errados? Por que eu simplesmente não consigo dizer o que sinto? Talvez não sabia bem. Agora talvez eu entenda melhor do que há uma hora atrás. Beeem. Pessoa errada de novo. Mas vamos e venhamos, sempre há uma segunda chance na vida. (Fá, te amo, mmmmuuuuito).
enviada por Mah
15/08/2006 00:35
"Todo mundo tem um pouco de medo da vida" - Pense e dance, Barão Vermelho
O ID é a maior parte do inconsciente, e é o lugar das pulsões. Reservatório da libido. SEmpre brinquei dizendo que meu ID me domina. Que meu superego não existe, e que é por isso que eu sou descontralada. Na verdade, ninguém entende bem a admiração por essa parte tão funda e tão grande de mim, que está sempre escondida. Respeito tanto minhas pulsões, que me curvo a elas. Mas isso não quer dizer q as deixe agindo desenfreadamente. Às vezes fujo delas, justamente por reconhecer sua força. Não é negar, é aceitar. Aceito o que elas me dizem, mas fujo antes q o estrago seja maior do que eu possa recuperar. Perder. Talvez esteja perdendo, mas é melhor perder o que ainda não faz falta do que perder alguma coisa muito valiosa. Meu incosciente, tão caro, tão importante, precisa se submeter à realidade...
enviada por Mah
10/08/2006 23:14
"O Homem está condenado à liberdade. J.P. Sartre
A vida em um segundo, o amor em uma piscada de olhos, minha história em um suspiro. Por que não? Em vários tons de voz e tons de dúvida. Por que não pode ser quase um sim, ou pode ser uma seca dúvida com a certeza do não. Dúvida. Eu sou apegada a segurança da certeza. Apenas idiotas perguntam o que já sabem. Eu sei. Eu sempre sei. Aberta, porém, não tanto ao ponto de me expôr. Desarmada, mas ainda tenho meus pulsos. Eu não mudei. Eu nunca mudo. E isso é bom. Estou de volta. Essa sou eu. Muito prazer, seja bem-vindo(a). Ou não.
enviada por Mah
07/08/2006 00:18
Libertas quae sera tamen (Liberdade mesmo que tardia)
Talvez seja tarde demais para eu reparar os erros que cometi. O maior deles não pode ser reparado, apesar de minha atuação não ter sido decisiva para o desfecho. Mas não é tarde demais para voltar a ser livre, para voltar a ser eu mesma. Na verdade, isso não aconteceu hoje. É um processo. Tem sido lento. Mas, ao mesmo tempo, se confunde com uma ferida muito maior, muito mais dolorosa, que o fim de uma relação. Até onde eu fui? Longe demais. Fundo demais. Mas será ainda tempo. Ainda tempo para o que eu venho reprimindo, venho deixando, venho tirando da prioridade. Eu vou. Sempre que quis, eu lutei. Esse ser passivo, que sofre coisas... Eu vou a luta, eu aprendo com meus erros, e tenho certeza que aprendi como nunca com os últimos. Não posso ser quem eu sempre fui, porque ninguém consegue ser quem era antes. Mas posso ser quem eu sou agora, e, mesmo sendo assim, não seria uma pessoa reprimida e paciente. Minha vida só é possível reinventada. Estou recriando, estou revivendo. Reler as páginas desse blog é sempre regenerador. Minha essência está aqui, ela não mudou. Eu quero meu poder de volta. Eu quero que a lua ilumine meu caminho, eu quero a liberdade que eu tenho. Após as lágrimas, a paz de ter feito o que eu devia fazer. Agora, olho em frente. Páginas em branco. Escrevi tanto sobre voltar a ser livre aqui. Dessa vez parece ser tão definitivo. Meu coração, antes tão deserto, se desarma. Confessa. E vai se agarrar à recém conquistada liberdade para se jogar. Eu vou, sim. Não é cedo. Será que alguém entende? Não posso perder nem mais um minuto. Meu luto passou, tanto que estive aberta. Conheço meus processos. Está bem aqui na sua frente. Blind sight. Sempre esteve aqui, e você procurando no óbvio. Just in time, esse é o momento e eu não posso mais esperar.
Joss Stone - Killing Time (tradução)
MATANDO TEMPO
talvez a vida seja melhor desse jeito
mas e os outros que não estão aqui hoje?
nós estamos lutando com a maré
caindo com nossos corações
mas, aí, na minha cabeça
Não há por que matar tempo
Refrão:
é melhor você parar o que você está fazendo
antes que você faça tudo errado de novo
é melhor você parar o que você está fazendo
antes que você faça tudo errado de novo
eu tentei afastar isso da minha mente
enterrar todos os problemas que eu deixei para trás
mas eu ainda não consigo explicar
as palavras eu não consigo achar
e eu não consigo entender isso
e nada vai mudar minha cabeça
refrão
Eu sei que sou jovem
e não sei nada desse mundo
oh Deus, já faz muito tempo
eu não ligo se as minhas palavras soam absurdas
Seu jogo não vai funcionar dessa vez
Refrão
não consigo tirar isso da minha mente
você não pode ver que eu não sou cega?
eu posso ver o que você está fazendo
pare o que você está fazendo
Quanto tempo levará para você reconhecer seu engano?
eu estava contando com você,
mas agora eu sei que você é apenas um idiota de primeira classe
enviada por Mah
23/07/2006 00:12
Omnia vincit Amor (O amor tudo vence)
"o amor não declarado morre" mesmo? ou isso é só uma frase bonitinha?
Um ano. Tá fazendo um ano. VOcê lembra? Lembra do nosso primeiro beijo? Se eu fechar os olhos, ainda consigo sentir a tua respiração e o frio no estômago daquele dia. A sensação de que faltava uma parte de mim quando você me soltou dos teus braços. E lembro do segundo beijo. Escondido, no partido. Lembro da primeira vez que eu te liguei. Lembra quando a gente se encontrava na Cândido Mendes, lembro de estar sentada no buraco do Lumen com você quando você me disse que você seria o último cara com quem eu ia ficar na vida. Lembro de como era bom namorar na varanda do 10 andar da UERJ, e lembro também da delícia que foi passar tardes juntos. De como eu fiquei feliz quando você veio aqui, porque eu morria de saudades. Uma cena que de vez em quando volta com força é um dia em que você tava com o Pedrinho no colo, e a Isabelli disse que a gente ia ser uma família. E você me olhou muito fundo nos olhos. Essa imagem de você com o Pedrinho sempre me traz lágrimas nos olhos. O filho que a gente não vai ter. Enfim. Já faz um ano. Entre erros, acertos, choro, risos. Nossa, que estranho. Parece que foi sempre, mas que o sempre começou ontem. A saudade chega a arder nos meus pulmões. Era tão lindo o que a gente tinha. Era tão puro. Ainda é, eu acho. As lágrimas devem ter purificado nossos corações. Como... Como é que segue em frente, meu amor? Depois de tudo. Fecho os olhos. Consigo te dizer cada detalhe desse dia, há um ano atrás. Eu estava com a minha bata rosa de mangas compridas, e tinha feito escova. Você tava com a camisa do Flamengo. Eu encontrei primeiro o Rilden. Você chegou atrasado. Eu te esperava. A gente foi lanchar. Horas pro primeiro beijo! Eu tava morrendo de ansiedade. E você... O que importa. Você não está aqui. Eu não vou a lugar nenhum. Tento me libertar, mas não consigo. Eu acho que nunca mais vou conseguir me entregar do jeito que eu me entreguei pra você. Lembro do último beijo. Do último olhar. Da última vez. Sem palavras. Nunca imaginei que ia ser o último beijo. Porta do prédio do meu trabalho. Eu estava tão feliz por você estar ali. Essa presença do ausente que me dói tanto hoje. Você dormiu no meu colo no caminho do ônibus. Saudade dos teus braços. Do teu sorriso. Do teu cheiro. Volta. "Vem viver outra vez do meu lado"... No fundo, no fundo, o amor, mesmo quando não declarado, mesmo quando afastado, despedaçado, sufocado, vence tudo. O meu, pelo menos, venceu. Um ano do nosso primeiro beijo. Quisera ser um ano do primeiro beijo de novo.
enviada por Mah
09/07/2006 00:34
Mari com as tais borboletas na estômago...
Tudo o que realmente se faz necessário nesse momento é alguém que me esvazie. Que me empurre pra minha vida leve. Não como antes, porque minha vida mudou, e isso, no final das contas, deveria estar sendo bom. Alguém em que eu possa confiar. Alguém que me permita confira de novo no amor. Alguém a quem eu me permita. Eu tenho que me permitir de verdade. Amor dentro de mim está sobrando, e não sabe bem pra onde tem que ir. vou te dar um rumo. Vou te digerir. Voltei a ter "borboletas no estômago", a tal "dormência nos pulmões" de quem fica sem ar só por ter a visão mais desejada. Onde a gente vai, dessa vez? Preciso de calma. Preciso dizer o que houve. Preciso ser aceita. De peito aberto. Tô aberta.
Amor, meu grande amor Barão Vermelho
Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente
Pois tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço A vida do teu filho desde o fim até o começo
Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
E quando me quiser que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver que eu seja a última e a primeira
E quando eu te encontrar, meu grande amor,porfavor,me reconheça
Pois tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo
enviada por Mah
27/06/2006 23:35
Sem fôlego, sem ar... Sem palavras! Muito bom
Pra Ser Sincero
Marisa Monte
Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo o que eu quis
Confesso a minha dor
E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal
E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu voe
E o que passou, calou
E o que virá, dirá
E só ao seu lado, seu telhado
Me faz feliz de novo
O tempo vai passar
E tudo vai entrar no jeito certo de nós dois
As coisas são assim
E se será, será
Pra ser sincero, meu remédio é te amar, te amar
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo o que eu sinto longe de você
enviada por Mah
23/06/2006 22:54
Os Estácio Boys e eu
Eu nunca tinha convivido muito com pessoas assim, tão Estácio boys. Nada contra a gigantesca universidade particular, não. E aliás, até pelo tamanho, tem gente de tudo que é jeito, e muita gente legal, inteligente e que não tem nada a ver com esse texto... Mas vamos combinar que a Estácio de Sá conseguiu um semi-padrão de estudante (principalmente na Comunicação): meninos bombadinhos, bonitinhos, classe média tijucana e da Barra, alguns com alguma coisa na cabeça, outros com nada. Ok. Nada contra, mas nunca foi o meu mundo. Pra mim, pegar um desses Estácio boys é uma novidade, interessantíssima, quase um estudo de caso. Surpreendente, eu diria. Olha bem a frase que eu mais ouvi: olha lá, não vai se apaixonar por mim, hein, a gente só tá se pegando. Óbvio, eu entendo isso. Era exatamente isso que eu queria. Mas parece que esse tipo de meninos da Estácio não acreditam que uma mulher simplesmente pode não cair de quatro apaixonadérrima. Quem não se apaixonaria? O mundo é um grande bar, cercado por uma enorme academia. Sartre nem existe lá. A vida é tão leve, tão... Não, dizer que é vazia é preconceito, porque pelo menos o exemplar que eu tenho convivido não é, absolutamente, vazio. Ao contrário, é cheio de crises e dualidades. Mas a vida desses caras me parece muito tranquila, nada de problemas concretos, muito menos metafísicos. Esses meninos acreditam naquela lenda da mulherzinha que enlouquece diante de um ser tão... Beeem, vocês entendem. Esses meninos ainda estão no Narcisismo primário, eu acho. Um Estácio boy pode ser um ótimo Estácio lover, por sinal. Mas... Beeem, nada me convence que eles realmente saibam como é um orgasmo feminino. Eles se assustam com isso (o que me leva novamente a perguntar: que mulheres são essas que andam por aí?). Se assustam menos com uma menina que diz que quer algo sério do que com uma que não quer. Conclusão: pra cada inha no mundo existe um Estácio boy. O Estácio boy em questão me ensinou, enfim, quem são os caras que pegam essas inhas, criaturinhas sem sal e bobinhas. São, claro, atraídos pela simplicidade de uma mulherzinha, que vem com manual de instruções, já que é igual a 89% das mulheres que andam por aí. E, quando não estão com as namoradinhas, estão pegando as que são pra transar, o que também é bem simples, sem envolvimento. E as tais que não se encaixam em nenhum dos moldes? Me assusta imaginar o desespero desse mundinho bem delimitado em que essas pessoas vivem quando algo escapa ao que é prevísivel e esperado. Tá, nem todos se restringem as inhas ou as putas. Mas é um desperdício. Porque eles podem ser caras interessantes, por mais que não sejam os caras por quem eu normalmente me apaixone. Pena que eu sou um caso perdido. Será que um dia eu vou ter um padrão mais normal de homem? Meu padrão ifcsiano anda muito dífícil (pedir alguém que leia Sartre, saiba quem é Foucault e que ainda assim me faça rir e seja gostoso é pedir demais?)
Impossível não pensar nessa música!
Narcissus Alanis Morissete
Querido filhinho da mamãe
Eu sei que a a sua mãe lambia a sua bunda
e que você gostava de toda a atenção que ela te dava
e a de cada mulher que pôde ser agraciada com a sua presença depois
querido narcisista
Eu sei quie você nunca realmente se desculpou por alguma coisa
eu sei que você nunca assumiu responsabilidades
Eu sei que você nunca ouviu de verdade uma mulher
Querido exibicionista
Eu sei que você não se interessa por resolução de conflitos
ou olhar os dois lados de uma história
ou ter uma conversa ininterrupta
e qualquer papo sobre saúde
e qualquer papo sobre conexão
equalquer papo sobre como resolver isso
te faz sair correndo porta a fora
(Por que, por que eu tento te amar
tento te amar quando você realmente não quer que eu o faça)
Querido egoísta
você nunca teve que arcar com as consequências de nada
você nunca ficou com alguém por mais de dez minutos
você nunca entendeu como é que alguém pode resistir
Querido cara popular
Eu sei que você tá acostumado a ter tudo tão fácil
um estranho ao conceito de reciprocidade
as pessoas veneram caras como você nessa sociedade
e qualquer papo de abnegação
e qualquer papo sobre trabalhar nesse assunto
e qualquer papo sobre ser útil
te faz sair correndo porta afora
(Por que eu tento te ajudar
Tento te ajudar se você realmente não quer que eu o faça)
Volta pras mulheres que dançam conforme a tua música
Volta pros teus amigos que lambem a tua bunda
Volta a ignorar o resto de nós
Volta pro centro do universo
Querido egocêntrico
Eu não sei porque eu sou afetada por você
Eu nunca durei muito com alguém como você
Eu nunca consegui apesar de ter que admitir que eu quis
Querido magnético
Você nunca esteve com alguém que não aceitasse essa merda
você nunca esteve com alguém que ousou te chamar na responsabilidade
Eu me pergunto que que você faria se alguém te chamasse na resposabilidade
e qualquer papo sobre força de vontade
e qualquer papo sobre estar com os dois pés dentro
e qualquer papo sobre compromisso
te faz sair correndo porta afora
(Por que, por que eu tento te mudar
Tento te mudar mesmo quando você não quer que eu o faça)
Volta pras mulheres que dançam conforme a tua música
Volta pros amigos que lambem a tua bunda
Volta a ser tão óbvio
Volta pro centro do universo
enviada por Mah
10/06/2006 23:17
"O pensamento mágico enquanto conceito antropológico" (ou: "O poder de um par de botas plataforma pretas")
A minha geração foi sacaneada pela AIDS. Nenhum de nós, em sã consciência e sóbrios, transa sem camisinha com alguém que não confia muito. Muitos de nós, nem com quem confia muito. A liberdade que uma geração ganhou com a pílula, o tal amor livre, acabou condicionado a um saquinho de plástico. Mas todo mundo tem ainda aquele "pensamento mágico", que algum antropólogo falou há alguns anos atrás: aquela coisa em que ação e reação não estão encadeadas, onde existe uma explicação fantástica para as coisas. De vez em quando escuto: "não transo de camisinha, mas eu sempre escolho mulheres que eu sei que não têm problemas". Hum... Como se DST deixasse alguma marca no rosto, como se bebês só viessem quando a gente sonha com eles... Pra mim, esse raciocínio de "Nunca vai acontecer comigo" de algumas pessoas é igualzinho ao raciocínio dos "selvagens" que exorcizam os "espíritos" dos mortos inimkigos em batalhas levando suas cabeças para casa e alimentando-as todos os dias. Mas não era disso que eu queria falar, apesar de ter que desabafar sobre isso. Estava pensando mesmo era em como eu tenho um lado muito mágico nos meus pensamentos. Uma forma tão absurdamente positiva de enxergar as coisas às vezes. Minha vida é sempre um filme. Sempre uma comédia romântica. Sempre um "Quem vai ficar com Mari?". Últimos meses ficou muito drama, meio triste demais, desses filmes que você vê pra chorar. Agora não; normalidade reestabelecida, aqui estou eu brincando com o lado lúdico das minhas novas botas pretas. O incrível fascínio que botas pretas de plataforma exercem sobre mim, há anos a fio. Do alto da plataforma, meu mundo volta a desenhar cores alegres, naqueles sorrisos doces de sedução. Nas brincadeiras que faço com a vida, com a "dormência no pulmões" que alguém me provoca. Provocar. Você, como sempre, provoca minha inteligência. Meu lado "mulherão". Me surpreende. Hum... Eu já vi esse filme. Acho que o nome era "Amor ou amizade". Acho que tô querendo fazer a sequência, mesmo que seja só pra ser um daqueles filmes-pipoca, que são apenas diversão. Quem disse que a vida tem que ser sempre séria?
enviada por Mah
28/05/2006 22:49
"O tempo é só meu, e ninguém registra a cena" - Pitty
O tempo está transformando a dor em esperança. A crise me mostra que, no fundo, nada mais me atinge, se sobrevivi a isso. Sozinha. Meu olhar ficou mais doce, depois de tanta aridez. Meu coração passa a buscar aquela criança. Eu, enfim, descobri: cresci tanto, tanto, que agora sou uma mulher. Que bom que não me amarguei, que não me culpei, que não virei o que, no fundo, certas pessoas esperavam. Minha fé na vida dobra de tamanho. Eu transbordo de amor. Estou, como pode?, estou feliz. Estou orgulhosa de mim. Estou me sentindo uma pessoa forte e positiva. A dor passou, e me deixou tão forte, tão plena de mim... Pena. Pena que ele perdeu a chance. Eu, por incrível que pareça, de repente me sinto inteira. Inteira o suficiente pra decidir ser quem eu quiser. Eu amo. Meu amor de repente não tem mais objeto. Uma parte dele, até tem, porque alguém precisa amar aquele sonho perdido. Amo, também. Mas só divido meu amor com esse pequeno sonho que se foi. Mas no momento, com maus ninguém. Do tamanho do mundo. Que sensação boa...
enviada por Mah
18/05/2006 23:59
"Será possível que você ainda me ame?"(Carla Bruni) - eu pergunto: como foi que você começou a me amar??? Que bom...
No meio de tanta aridez, alguém volta. Volta lá do Sul pra me abrir as janelas, pra me sacudir. "Ei, você lembra, mocinha, lembra?". Meu coração se agita, ele lembra. Lembra que muita coisa passou, mas esse sentimento tão transcendente continua. Continua em palavras doces, continua na saudade boa de coisas boas, continua nessa história romanceada que a gente escreve. Onde o mocinho virou vilão e o sujeito pouco provável continua ali, com seu ar de galã não reconhecido. Se a gente fosse um filme, seríamos "Casablanca". Se a gente fosse uma música, seríamos "É isso aí". Se a gente fosse uma escola de psicologia, seríamos a Gestalt. Se a gente estivesse perto, talvez tivesse dado certo. Na verdade, a gente dá certo, porque, por mais que ninguém entenda, a gente ainda é "a gente". Isso acabou com meu pseudo-namoro (e com a auto-estima daquele idiota). Porque ser entendido de verdade não é uma coisa tão fácil quanto parece. Ser entendido e ainda assim ser amado é muito mais difícil. Queria ser louca e ir embora, ir pra perto. Mas e a faculdade, e a minha mãe, e meus amigos, e meus cachorros, e meus gatos??? Minhas raízes me prendem. Meu coração, porém, flutua. E vai... Vai pra perto quando pode, abre espaço na correria, abre caminhos onde não existe sequer chão. A esperança volta, sempre que eu fico assim. Volto a ter fé. Volto a sonhar. Não me importa se é rídiculo, não me importa o que pensam. Só me importa que eu sinto, e que às vezes, bobagem, um e-mail me deixa tão mais feliz...
enviada por Mah
15/05/2006 22:30
"O triste fim das coisas que passaram" (Carlos D. de Andrade)
Chega de chorar, Mariana. Chega de chorar sem entender o porquê. Eu sei o porquê. Eu sinto o porquê. Ele existiu por quase quatro semanas. Sonhos com prazo de validade datado, desejo mal imaginado, projeto que não vingou. Por falta de desejo, por falta de planos, logo eu, logo eu que adoro ter o controle do meu mundo. Eu perdi. Perdi o controle sobre isso. Eu não devia. Cadê a merda do rito de passagem, hein? Como ficar de luto sem ter velado, sem ter visto, sem saber, sem ter tido o momento em que as coisas estavam claras? A clareza demorou demais para chegar. Só agora me permito, e agora junto com as lágrimas e a dor no peito, venho eu atropelando meu luto. Foram processos diferentes, e meu coração já se acha em condições de tentar de novo, de tentar de outra forma, de se escancarar para o próximo da fila. Pobre coração, que às vezes vai lá em Curitiba buscar aquele tão parecido, aquele que também ama, mas que se dá de outro jeito. Passou. A dor, outra, outro motivo, me ensina que é preciso amar. Que eu, tão sozinha, tão independente, talvez tenha outro jeito. Sonhos. Quero voltar a acreditar neles...
enviada por Mah
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|